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Porque trabalhar com famílias enlutadas

20/11/2019 - Nossa equipe

Bom, na verdade durante toda a minha graduação em Psicologia, eu nunca havia sequer pensado em trabalhar nessa  área específica, voltada ao luto, e até então, não havia perdido ninguém próximo o bastante para que pudesse sentir a dor da perda por morte.

Mas, em 2010 surgiu uma oportunidade através de uma colega que havia trabalhado comigo em uma loja de departamento da cidade de Blumenau, para uma entrevista com a atual Assistente Social do Plano Boa Vida - Tássia Hostin e posteriormente com a Coordenadora do Boa Vida na época.

Lembro como se fosse hoje, que durante minha entrevista, um dos pontos levantados foi a tristeza, o choro, a melancolia, e até a raiva que eu teria de “lidar” como resposta das pessoas que estaríam privadas do convívio de alguém querido e valoroso diante do acontecimento da  morte.

Lembro também que na época estava em pesquisa sobre temas para meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Posteriormente, envolvida e apaixonada pelo que faço, fui levada a elaborar um TCC voltado para os profissionais que trabalham com o estágio último – a morte, sendo estes os agentes funerários.

 A motivação pelo desafio em atender as famílias que, precisam tratar de questões burocráticas (de um funeral) em um momento tão difícil e doloroso que é a morte de um dos seus, e de alguma forma poder cuidar, oferecer uma escuta atenta as necessidades, o suporte que muitas vezes essas pessoas não encontram na sociedade, na comunidade, na família, e que naquele momento precisam ser compartilhadas, a comoção, o choro, e até mesmo questionamentos diante dessa ruptura, foram  um dos principais motivos que me levaram a trabalhar no ramo funerário.

Venho aprendendo a cada dia com as famílias que atendo. Sem dúvida alguma, a percepção que hoje tenho de morte e de vida é diferente daquela que tinha antes de trabalhar nesse ramo.

No dia 21 de abril de 2011 (6 meses após entrar no Boa Vida), fui tocada pela dor da perda de minha querida avó materna. Vivenciei o que é ter de contratar um funeral, registrar o óbito, decidir onde aconteceria o velório, entre tantas outras questões, e ainda assim, encontrar espaço e poder expressar a tristeza e a dor por não ter mais alguém que amo muito aqui fisicamente.

A paixão pela profissão, a compaixão para com os nossos associados e ainda assim se perceber como ser humano, com seus medos e anseios é o que faz com que consiga me dedicar e a de fato ajudar, orientar, ouvir e acolher as famílias no momento mais doloroso, onde aqueles que amamos estarão em nossas lembranças, em nossa história, mas o corpo já não poderá mais ser tocado, os encontros agora serão diferentes, porém, não menos importantes para continuar seguindo.

A cada dia tenho a confirmação de que as pessoas procuram ajuda por não terem o apoio, conforto e compreensão que precisam no seu meio social e familiar. 

Poder colaborar para que as pessoas tenham atenção e respeito nos momentos difíceis traz ganhos incalculáveis ao profissional, e a empresa recebe o reconhecimento da sociedade pelo  atendimento humanizado.

 Aprendo todos os dias, em cada atendimento, cada história compartilhada...o tempo, as pessoas, a família, o amor, os amigos passam a ter novos significados. Aprendi a dar importância a coisas que antes não eram prioridades.

Colaborou Patrícia dos Santos – Psicóloga do Boa Vida, Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, MBA em Gestão de Pessoas, Formação em Tanatologia (Perdas e Luto).

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