Blog Boa Vida

Precisamos viver o luto para não vivermos em luto

Luto

Se não pudermos chorar, e até gritar, a dor pela morte de alguém querido perante seu corpo sem vida, em que outra circunstância será permitido dar voz e espaço para nossas dores? 

Manifestações de luto constrangem e questionam uma cultura que supervaloriza o que é relativo à felicidade. Nessa situação, um dos aspectos mais importantes é permitir que a pessoa expresse sua dor e assim, tenha seus sentimentos validados. Contudo, a dor do outro tende a nos incomodar e na tentativa de acalmá-lo, utilizamos frases como “você precisa ser forte” ou “ele está em um lugar melhor agora”.

Se não pudermos chorar, e até gritar, a dor pela morte de alguém querido perante seu corpo sem vida, em que outra circunstância será permitido dar voz e espaço para nossas dores?

Os rituais de morte são essenciais no processo de luto. São momentos de profunda dor, onde a realidade confronta o desejo de que quem amamos seja imortal. São saudáveis as expressões intensas de sofrimento durante os rituais fúnebres e é fundamental viabilizar que tais emoções sejam vivenciadas, uma vez que este é o contexto mais adequado para vivê-las, evitando que crises abruptas e severas aconteçam mais tarde em situações cotidianas diversas.

O uso de medicamentos tranquilizantes não é adequado, a menos que seja um caso extremo. O efeito de torpor impede que os rituais de despedida sejam vivenciados integralmente. Naturalmente, a pessoa já está muito confusa e o medicamento a deixará ainda mais desconexa de suas emoções.

O luto é um período de mudanças e descobertas de potenciais que nem imaginávamos ter. Descobrimos como viver sem aquela pessoa e conviver com a saudade. É imprescindível o auxílio da família e amigos, mas, como todo processo íntimo, é individual e solitário. Uma parte de nós também morre, mas outra parte nasce para que consigamos nos reorganizar e dar continuidade à nossa vida.

Após uma perda significativa é preciso ressignificar a vida para não permanecermos velando aquilo de nós que perdemos com a morte do outro, mergulhando no chamado luto complicado. O luto precisa ser vivido para não vivermos em luto. Como uma ferida aberta que exige cuidados, sem recolhimento e o devido zelo, ela não cicatriza, pode infeccionar e causar outros quadros mais delicados.

O luto também é tempo de relembrar alegrias e recordar bons momentos. A elaboração do luto vai transmutando a dor da saudade. Ser feliz não implica em não haver nenhuma dor. Com o tempo, o que era dilacerante, dá espaço ao sentimento de falta acompanhado de lembranças carinhosas de quem se foi.

Por Marciane Sossmeier

Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/precisamos-viver-o-luto-para-nao-vivermos-em-luto/

  • Compartilhe:
  • Facebook
  • Twitter
  • WhatsApp
  • LinkedIn

Posts Relacionados

A verdadeira dor da perda é falar sozinho

Luto

O João partiu cedo demais e aqui Marilu nos conta como é viver menos só na companhia de outras viúvas (e alguns viúvos) em um grupo online - adoro ter com quem falar que 'Não, ficar viúva não é a mesma coisa que se divorciar'. *Texto postad...

LEIA MAIS

Acolhimento e Suporte no Luto e Despedidas

Luto

O luto é um processo desorganizador, natural, não linear e, esperado diante do rompimento de algum vínculo significativo. É um processo de transição no nosso mundo interno diante de uma mudança que já aconteceu no lado externo. É um processo...

LEIA MAIS

Sobre Saudade...

Luto

Hoje é dia 30 de janeiro, e essa data ganhou um significado especial ao ser instituído e celebrado no Brasil o Dia da Saudade. Te convido a parar uns minutinhos e pensar: Do que, ou de quem sinto saudades? Só de par...

LEIA MAIS

Novos Planos e
Valores Boa Vida

Plano Valor

No momento mais difícil da vida, nosso cliente poderá contar
com tranquilidade, segurança e respeito no atendimento.

Ícone do Whatsapp
Contrate
pelo WhatsApp
(47) 99123-0099
Plano Valor
Contrate o plano
Boa Vida pelo Whats